Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, apresentou três informações incorretas durante sabatina no Jornal da Manhã nesta terça-feira (8). Os erros envolveram políticas de cotas, benefícios previdenciários e a composição da Câmara dos Deputados.
Ao criticar as cotas, Renan afirmou que a política começou em 2011 e que a desigualdade racial aumentou depois disso. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) realizou o primeiro vestibular com participação de candidatos pelo sistema de cotas em 2002, para ingresso em 2003. Já a lei que reservou vagas nas universidades e institutos federais foi sancionada em 2012.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também não confirmam a piora citada. Em 2010, trabalhadores pretos recebiam, em média, 50% do rendimento dos trabalhadores brancos. Em 2011, a proporção subiu para 52,3%. Entre trabalhadores pardos, passou de 53,7% para 54,7% no mesmo período.
Previdência e Câmara
Renan defendeu a desvinculação do salário mínimo de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Ele disse que nenhum país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mantinha esse tipo de regra, mas a própria Colômbia, integrante da organização, estabelece que aposentadorias contributivas não podem ser inferiores a um salário mínimo.
O candidato também declarou que a Câmara tinha 503 deputados. A Casa possui 513 parlamentares, número que continuará valendo para a legislatura escolhida nas eleições de 2026. Mais tarde, o próprio Renan citou corretamente os 513 deputados.
Afirmações confirmadas
Em segurança pública, Renan afirmou que pelo menos 100 pessoas são assassinadas por dia no Brasil. O Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, registrou 42.590 homicídios em 2024, média de aproximadamente 117 por dia.
Ele também acertou ao mencionar o envelhecimento do eleitorado. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a parcela de eleitores com 60 anos ou mais passou de 21,02% em 2022 para 23,60% em 2026. Entre pessoas de 21 a 34 anos, caiu de 28,01% para 25,85%.
Na área comercial, o candidato apontou a dependência do Brasil em relação à China, principal parceiro comercial do país. Em 2025, a China recebeu 28,7% das exportações brasileiras e respondeu por 25,3% das importações, conforme dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Renan também afirmou corretamente que seria necessário alterar a Constituição para o Brasil desenvolver armas nucleares. O artigo 21 determina que atividades nucleares no território nacional só podem ocorrer para fins pacíficos e com aprovação do Congresso Nacional.








