GUARULHOS — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu colocar o combate às bets no centro da campanha à reeleição. Ele avalia restringir severamente ou proibir as plataformas de apostas digitais, incluindo os cassinos online conhecidos como jogo do tigrinho.
A decisão deve ser tomada a partir de quarta-feira (23), depois do retorno de Lula da Assembleia Geral da ONU. Aliados afirmam que o presidente está determinado a agir contra as empresas, mas integrantes do governo ainda apontam obstáculos jurídicos, econômicos e políticos para uma proibição total.
Disputa sobre a proibição
As bets legalizadas pagaram uma taxa de R$ 30 milhões ao governo federal para funcionar por cinco anos. Uma interrupção antecipada poderia provocar uma batalha judicial e abrir a possibilidade de indenização às plataformas pelo período restante do contrato.
O governo também avalia como impedir que serviços proibidos continuem acessíveis ou migrem para a ilegalidade. Outro ponto de preocupação é a influência das empresas sobre influenciadores digitais e no Congresso Nacional, que teria de analisar uma eventual medida provisória ou projeto de lei.
O chamado jogo do tigrinho responde pela maior parte do faturamento das plataformas, segundo aliados do presidente. A modalidade reúne jogos de azar em cassinos online e não depende de eventos do mundo real, ao contrário das apostas esportivas.
Um estudo do Comsefaz com o Cicef aponta que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025. Aliados de Lula relacionam as apostas aos níveis de endividamento da população.
Tema na campanha
A campanha de Lula deve levar a oposição às bets à televisão nesta terça-feira (22). O programa também deve ser publicado na internet nesta segunda-feira (21). A peça terá uma conversa do presidente com pessoas que se endividaram por causa do vício em jogo.
O governo Lula regulamentou o setor por meio de um projeto aprovado no Congresso Nacional no fim de 2023. O mercado regulado, com 85 empresas autorizadas mediante outorga de R$ 30 milhões, começou em 2025, após uma transição iniciada no segundo semestre de 2024.
Em maio deste ano, pesquisa Datafolha mostrou que 57% dos brasileiros consideram as apostas on-line um vício. Outros 31% classificaram a prática como perda de dinheiro.
A pauta ganhou espaço nos dois últimos comícios de Lula, em Guarulhos (SP) e Florianópolis. Em Guarulhos, na sexta-feira (18), ele relatou casos de endividamento e disse ter organizado uma vaquinha de R$ 24 mil para ajudar uma pessoa. Lula também afirmou que o vício em jogo é uma doença e que acabará com as bets.
A campanha petista tem divulgado peças contra as plataformas nas redes sociais e tenta responder à afirmação de clubes de futebol de que o esporte acabaria no Brasil se as empresas fossem proibidas.








