SÃO PAULO — Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro” e apontado como operador de Daniel Vorcaro, está entre os alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação também mira Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial, e os irmãos dele, André e Bruno Tupinambá.
Deflagrada nesta quinta-feira (24), a fase chamada “Crédito Oculto” é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal. As equipes cumprem mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. As ordens foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Catanduva.
A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionado à compra da distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana. Segundo o GAECO, a estrutura seria liderada por Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, apontados como chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Transferências para o fundo Havengate
Em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, Freixo Júnior afirmou ter feito sete remessas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos. Os pagamentos somaram US$ 12,3 milhões em 2025 e, conforme o relato, foram realizados a pedido de Vorcaro.
O fundo, administrado por Paulo Calixto, financiou o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Calixto é apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Freixo Júnior é dono da Entre Investimentos e também aparece nas investigações sobre o Caso Master. A Polícia Federal registrou que um relatório do Coaf o descrevia como “pioneiro nas Bahamas”, em referência a estruturas offshore que ele teria montado no país.
Investigação sobre a Terrana
O Ministério Público afirma que fundos e empresas foram criados para viabilizar a aquisição da distribuidora. Entre as estruturas citadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda.
Mais de R$ 120 milhões teriam passado por empresas usadas como intermediárias, entre elas Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi. A apuração reúne relatórios do Coaf, documentos bancários, dados obtidos junto ao Banco Genial, movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em etapas anteriores.
Além do GAECO e da Receita Federal, participam da operação a Procuradoria-Geral do Estado, a Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo e as polícias Civil e Militar. O material recolhido nesta fase será analisado durante a continuidade da investigação.








