Donald Trump rejeitou neste sábado (26) uma proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias. O presidente americano afirmou que Teerã quer um acordo porque estaria perdendo terreno no conflito com os Estados Unidos.
A proposta havia sido apresentada na sexta-feira. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que a decisão agora caberia a Washington. O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, afirmou que o plano foi elaborado em coordenação com o líder supremo Mojtaba Khamenei. Uma equipe de seis membros foi criada com poder para tomar decisões.
Trump declarou a jornalistas, em frente à Casa Branca: “Rejeito a proposta deles”. Na sexta-feira, ele havia publicado na rede Truth Social um mapa que nomeava Ormuz como “Estreito Trump”.
Termos do acordo
O protocolo assinado em junho com Washington previa um cessar-fogo imediato em todas as frentes, a reabertura do estreito e negociações sobre o programa nuclear iraniano. O entendimento também incluía o desbloqueio e o pagamento de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos 12 bilhões de dólares, a suspensão das sanções ao petróleo do Irã e o fim do bloqueio naval americano.
O acordo não avançou por causa das condições para a passagem pela via marítima. O chefe da diplomacia iraniana afirmou que as medidas exigidas dos Estados Unidos já estavam previstas no protocolo.
Por Ormuz costumava passar 20% dos hidrocarbonetos mundiais. Desde o início dos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, a República Islâmica reivindica o controle da passagem, enquanto Washington mantém um bloqueio aos portos iranianos.
Pressão sobre Washington
Os Estados Unidos não bombardeiam o território iraniano desde 1º de setembro, quando ataques durante um casamento no sudeste do país deixaram cinco mortos e dezenas de feridos. Houve, porém, ataques contra navios em Ormuz.
A guerra no Oriente Médio elevou o preço dos combustíveis e aumentou a impopularidade do conflito enquanto se aproximam as eleições legislativas de meio de mandato, em novembro. Também há avaliação sobre uma possível retomada dos bombardeios contra o Irã após a votação.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi, defendeu ainda o fim dos combates no Iêmen. O país passou a ser um novo front regional desde julho, com a retomada do conflito entre os houthis pró-iranianos e o governo iemenita, aliado da Arábia Saudita. Em setembro, o movimento antigovernamental lançou uma ofensiva e consolidou o controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb.








