BRISBANE — A mudança para a Austrália levou Maria Fernanda Costa, a Mafê, a aumentar o volume de treinos, melhorar a capacidade aeróbica e considerar novas provas para Los Angeles-2028. Vivendo em Brisbane, a nadadora também passou a conviver com atletas de alto nível e quer chegar aos próximos Jogos em condições de disputar uma medalha.
A escolha pelo país esteve ligada às provas de livre. Mafê explicou que a Austrália reúne algumas das principais nadadoras do mundo nessas distâncias e permite uma rotina frequente de competições em alto nível.
“A concentração das minhas provas está muito na Austrália. O desenvolvimento das minhas provas tem se concentrado na Austrália e eu quis ir para lá por conta disso”, afirmou.
Mais volume e novas provas
A preparação passou a incluir nove sessões semanais na piscina e três trabalhos de academia. Os treinos da manhã duram aproximadamente duas horas e podem chegar a 2h40. À tarde, costumam ficar entre duas horas e 2h20.
O volume é maior do que o realizado por Mafê no Brasil. A lógica é treinar uma distância acima da prova principal: quem nada 200m se prepara para 400m; quem compete nos 400m trabalha os 800m; e os 800m levam aos 1500m.
“Tenho um aeróbico muito grande hoje em dia, que me faz aguentar duas semanas de competição”, disse a nadadora.
Os 1500m entraram no radar neste ciclo. Mafê testou a prova e ainda pretende fazer outras avaliações antes de decidir se vai incluí-la no planejamento para Los Angeles-2028. Os 200m e 400m livre continuam entre as principais distâncias, enquanto os 800m também ganharam espaço.
As metas já definidas são romper 1min55s nos 200m livre, quatro minutos nos 400m e 8min20s nos 800m. Para a nadadora, essas marcas podem levá-la às finais e aproximá-la da disputa por medalhas.
Rotina em Brisbane
Mafê é a única estrangeira de um grupo formado por cerca de 15 ou 16 atletas. A convivência com a equipe australiana ajudou na adaptação e trouxe troca de experiências entre os nadadores.
A brasileira também treinou com Lani Pallister, uma das principais nadadoras do mundo nas provas de livre. Para Mafê, a competitividade diária e o contato com campeões e medalhistas olímpicos ajudam a tornar mais natural a presença entre as melhores atletas.
Fora da piscina, ela descreve Brisbane como uma cidade tranquila e com poucas distrações. Nos momentos livres, frequenta restaurantes, pratica yoga e pilates e participa de atividades com as companheiras e os companheiros de equipe.
A nadadora mantém ainda contato frequente com Fernando Possenti, seu antigo treinador. Eles moram a aproximadamente meia hora de distância e costumam se encontrar semanalmente. Possenti continua como uma referência esportiva e pessoal.
Sétima colocada na final dos 400m livre em Paris-2024, Mafê quer melhorar o resultado nos próximos Jogos. “Eu sonho, sim, com a medalha. Sabemos que é muito difícil, mas todo mundo trabalha muito para isso”, declarou.
Até lá, ela pretende testar provas, competir com frequência e seguir reduzindo suas marcas. Para 2027, projeta um calendário com o Mundial de Budapeste, o Pan-Americano e competições na Austrália.








