Aos 43 anos, Carlos Bahia chega aos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026 como o atleta mais experiente da delegação brasileira e do longboard. Pentacampeão brasileiro e medalhista internacional, ele vai competir ao lado de surfistas mais jovens e manter a busca por novos pódios.
A relação de Bahia com o surfe começou longe do mar. Nascido em Ibicaraí, na Bahia, ele cresceu em uma fazenda e sonhava em ser cowboy e competir em Barretos. Aos 13 anos, mudou-se com a família para Maresias, no litoral de São Paulo, depois que a mãe conseguiu emprego como diarista.
Foi na praia, com o pai, que ele conheceu o surfe e entrou em uma escolinha. A trajetória passou pelo bodyboard e pela pranchinha antes de chegar ao longboard, por sugestão de um amigo. O apelido Carlos Bahia também surgiu nesse período, depois de ele ser chamado de Baiano.
A estreia no circuito profissional aconteceu aos 17 anos, na etapa do Mundial de Longboard realizada em Maresias em 2000. Um amigo pagou sua inscrição. Na competição, Bahia acompanhou atletas como o havaiano Bonga Perkins e o brasileiro Picuruta Salazar, seu ídolo.
Depois de perder a bateria, ele recebeu a prancha de Picuruta, que também havia sido eliminado. O episódio marcou a carreira do surfista. Em 2004, Bahia entrou no circuito mundial. Desde então, conquistou cinco títulos brasileiros, chegou ao terceiro lugar mundial e ganhou medalhas internacionais.
Entre os resultados estão a prata no Mundial ISA e o bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, ambos em 2023.
Nos Jogos Sul-Americanos, o surfista diz que a experiência ajuda, mas não elimina o desafio imposto pelos novatos. Segundo Bahia, os atletas mais jovens têm mais resistência, e é preciso manter o ritmo competitivo.
“Eu fiz tudo depois. Quando comecei a competir, o Picuruta, meu ídolo, já tinha quase 40 anos. Eu achei que não daria tempo. Hoje eu sou o mais velho”, afirmou.
A motivação, segundo ele, continua ligada à disputa. Bahia afirma que ainda pode avançar e conquistar mais medalhas. “O espírito de competição ainda está aí. Eu acredito que dá para ir muito ainda e mostrar bastante”, disse.








