Sylvester Stallone afirmou que a busca pelo físico de personagens como Rocky e Rambo trouxe consequências graves. Aos 80 anos, o ator contou que teve bulimia, abusou de esteroides e continua enfrentando episódios de ansiedade.
Durante as filmagens de Rocky III, lançado em 1982, Stallone disse ter reduzido o percentual de gordura corporal a 2,6%. Segundo ele, a obsessão era tanta que não conseguia manter a comida no organismo ou evitava comer para preservar a aparência.
“Então, virou uma obsessão. Muito ruim. Chegou ao ponto em que me tornei bulímico”, afirmou.
Uso de esteroides e cirurgias
O ator também relatou que fazia ciclos de seis semanas usando esteroides e seis semanas sem as substâncias. Ao ser questionado sobre o uso, respondeu: “Meu Deus, você tem que usar”. Hoje, reconhece que o método teve um custo alto para o organismo.
A relação com o próprio corpo começou a mudar durante Cop Land, filme de 1997 dirigido por James Mangold. Na produção, Stallone interpretou um xerife acima do peso, parcialmente surdo e menos imponente do que os homens ao redor. Para ele, o papel trouxe liberdade depois de anos tratando o físico como uma armadura.
Stallone contabiliza nove cirurgias nas costas, duas nos ombros e três fusões na região cervical. Ele também disse que usa muitos medicamentos para continuar ativo e que evitaria fazer as próprias cenas de ação se pudesse voltar no tempo.
Ansiedade
O primeiro episódio intenso de ansiedade ocorreu quando Stallone tinha 36 anos. Enquanto assistia às imagens de uma filmagem, sentiu o corpo esquentar, acreditou que estava morrendo e caiu no chão de um cinema.
As crises desapareceram por alguns anos, mas voltaram com mais frequência durante o envelhecimento. Em locais cheios, como exposições de arte, o ator contou que já precisou sair às pressas ao perceber que estava prestes a desabar.
No livro de memórias The Steps, Stallone também revisita a infância com pais abusivos e negligentes. Ele relaciona a necessidade de demonstrar força ao relacionamento violento com o pai e reconhece que a imagem de alguém inquebrável também foi projetada sobre o próprio corpo.








