VENEZA — Susan Sarandon afirmou que um diretor italiano decidiu trabalhar com ela mesmo após receber alertas para evitar sua contratação. A atriz contou o caso durante a coletiva de imprensa de The Echo Chamber, filme dirigido por Andrea Pallaoro.
Sarandon também disse que continua enfrentando obstáculos para conseguir trabalhos em Hollywood. De acordo com a atriz, filmes foram retirados de seu caminho profissional recentemente, enquanto agências seguem orientando pessoas da indústria a não contratá-la.
“Quero agradecer a Andrea, porque ele não dá ouvidos aos avisos”, declarou Sarandon.
Mudança no debate
A atriz afirmou perceber uma alteração na forma como o público entende a relação histórica entre Palestina, Estados Unidos e o movimento sionista. Ela também avaliou que o debate sobre o apoio norte-americano a Israel ganhou mais espaço nos últimos anos.
Sarandon disse, porém, que parte da indústria cinematográfica ainda resiste à sua posição pública em defesa da Palestina. Mesmo com as dificuldades, afirmou que passou a atuar principalmente em produções independentes e projetos europeus.
“Eu encontrei minha família, encontrei meu povo e estou bem”, afirmou durante o evento em Veneza.
Histórico de conflitos profissionais
Em 2023, depois dos ataques de 7 de outubro, Sarandon fez declarações em um protesto que mais tarde reconheceu como inadequadas e pelas quais pediu desculpas. Naquele período, a United Talent Agency encerrou a representação da atriz.
Desde então, Sarandon passou a relatar publicamente os efeitos que sua atuação política teria causado na carreira. Durante a cerimônia do Goya Awards, no início deste ano, ela afirmou que havia sido afastada pela agência por participar de manifestações e defender um cessar-fogo em Gaza.
A atriz também disse que, por um período, ficou praticamente impossível obter trabalhos ligados a grandes produções de Hollywood. Na coletiva, agradeceu a Pallaoro por ter ignorado as recomendações para não escalá-la.








