Mano Brown defendeu que rappers desenvolvam um vocabulário próprio e mantenham contato constante com a escrita durante a criação. Para ele, recorrer imediatamente ao celular, ao Google ou a dicionários de rimas pode afastar o compositor da construção da própria memória.
A orientação foi dada em uma conversa com o cantor e compositor Nei Lopes, no projeto “Cidade de Dentro”. O encontro teve mediação de Thalma de Freitas e participação de Rodrigo Campos. A iniciativa aproxima vozes da música, literatura, história e das artistas.
Brown explicou que anotar palavras ajuda a manter possibilidades de rima por perto, mesmo quando elas ainda não são usadas. “Faz o caderno”, aconselhou. Ele também sugeriu que cada compositor crie um repertório baseado no que lembra, observando terminações com três ou quatro letras.
A ideia foi resumida por Thalma como a criação de um dicionário particular, formado a partir do vocabulário de cada pessoa. Brown concordou e reforçou que as palavras devem permanecer próximas durante o processo: “tem que conviver com as palavras, com a escrita”.
Nei Lopes lembrou que compositores podem consultar trabalhos de autores que vieram antes deles e citou a existência de dicionários de rimas. Brown fez uma ressalva sobre esse tipo de material. Em tom de brincadeira, disse que, no rap, recorrer ao dicionário no momento de rimar seria uma “mancada”, embora tenha afirmado que a consulta pode ser feita.
O projeto é realizado pela Casa de Francisca, com coprodução da Taverna Produção. O episódio foi registrado um ano após a inauguração da Sala B, espaço mais íntimo do Palacete Teresa. A conversa está disponível no Spotify e no YouTube da Casa de Francisca.








