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Clipe da Manger Cadavre? leva crítica ao consumo para antiga fábrica
Foto: Divulgação/@seiumseisum
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Clipe da Manger Cadavre? leva crítica ao consumo para antiga fábrica

Filmado em ruínas de São José dos Campos, vídeo de “Obsolescência Programada” conecta consumo, trabalho e descarte.

A Manger Cadavre? transformou as ruínas da antiga Tecelagem Parayba em cenário para discutir consumo, trabalho e descarte no videoclipe de “Obsolescência Programada”. A faixa faz parte do álbum Como Nascem os Monstros, finalista do Prêmio TMDQA! de 2025 entre os melhores lançamentos de metal.

A música parte da ideia de que produtos podem ser fabricados para perder a utilidade e amplia o conceito para o mundo do trabalho. Na leitura da banda, pessoas também passam a ser tratadas como peças substituíveis em um ambiente marcado por desemprego, pejotização e falta de garantias sociais.

Nata de Lima, vocalista da Manger Cadavre?, afirma que a insegurança aparece no cotidiano de muitos trabalhadores. “A letra dessa faixa possui algumas camadas de interpretação”, diz.

Ruínas e estética dos anos 1990

O vídeo acompanha inicialmente um explorador pelas estruturas abandonadas da antiga tecelagem, que já foi ligada à produção, aos empregos e à atividade industrial da cidade. Depois, o personagem encontra a banda em cenas registradas no Hocus Pocus Estúdio, também em São José dos Campos. A produção é de Gustavo Rodrigues.

A linguagem visual reforça o tema. O clipe foi gravado com handycams antigas e incorpora granulação, saturação e efeitos associados aos anos 1990. A escolha contrasta com a busca atual por imagens perfeitas e sintéticas e questiona a padronização estética provocada pelas novas tecnologias.

Da experiência em Berlim à música

A letra nasceu durante a primeira turnê europeia do grupo. Em Berlim, Nata preparou um almoço para cinco pessoas e gastou cerca de oito euros em ingredientes. No Brasil, segundo ela, a mesma compra custaria pelo menos R$ 200.

O que chamou sua atenção foi descobrir que o molho comprado na Europa levava tomates cultivados no Brasil. A experiência ocorreu durante um período de alta do café e forte exportação de commodities brasileiras. Para a vocalista, o episódio expôs diferenças de preço, consumo e qualidade dos produtos e trouxe uma reflexão sobre desigualdade e dependência econômica.

O instrumental já estava pronto, com referências de Bolt Thrower, Carcass e do death metal dos anos 1990, além da energia do hardcore crust na bateria. A letra foi criada depois, a partir daquele episódio cotidiano.

A Manger Cadavre? completou 15 anos de trajetória no metal extremo. A banda passou por festivais como o Abril Pro Rock, tocou no Obscene Extreme, na República Tcheca, em 2024, e fez a turnê de Como Nascem os Monstros em 2025. Em 2026, segue na estrada.

O grupo é formado por Nata de Lima, no vocal; Marcelo Kruszynski, na bateria; Paulo Alexandre, na guitarra; e Bruno Henrique, no baixo.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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