Froid diz ter reencontrado o prazer de fazer música após 12 anos de carreira. O rapper mineiro transformou essa mudança pessoal em “Humor Negro”, álbum criado com mais controle sobre a produção e sem personagens para esconder o que sente.
No início da carreira, Froid ficou conhecido pela chamada “magia obscura”, uma estética misteriosa presente em trabalhos como “Teoria da Água”, “O Pior Disco do Ano” e “O Queridinho de Deus”. Com o tempo, porém, o processo passou a envolver muitos produtores, negociações e tentativas de alcançar públicos diferentes. Para ele, isso afastou sua identidade sonora.
A virada veio quando o artista passou a tratar rotina, saúde e criatividade como partes conectadas. Ele voltou a dormir cedo, treinar, estudar teclado e produção. Também comprou 200 vinis para procurar samples. A mudança fez o trabalho deixar de parecer apenas uma obrigação.
Um disco sem personagem
“Humor Negro” começou com a intenção de ser um álbum de praia, com experimentos caribenhos. Durante a criação, Froid mudou de direção ao refletir sobre a forma como homens negros são vistos quando alcançam reconhecimento, mas deixam de ser acolhidos quando demonstram tristeza, frustração ou vulnerabilidade.
A partir disso, abandonou a ideia inicial e assumiu uma abordagem mais direta. O disco reúne boombap, passagens acústicas, dancehall e afrobeats. As referências passam por diferentes expressões da música negra, com elementos caribenhos e latino-caribenhos.
Froid produziu oito das 11 faixas, o maior volume de produção própria em um álbum da carreira. A proposta, segundo ele, era fazer uma obra guiada apenas pelo próprio gosto. Pela primeira vez em um disco, não criou personagens. O resultado é apresentado como um registro mais transparente de suas impressões e conflitos.
A faixa “Endrick” teve papel central nesse processo. Nela, o rapper expõe a frustração por expectativas que não se realizaram e se compara ao jogador. A música abriu espaço para que ele mostrasse erros e inseguranças sem sustentar a imagem de alguém que tem tudo sob controle.
O clipe da faixa também foi alvo de debates pelo uso de inteligência artificial. Froid afirmou que gravou o vídeo com equipe, locações, figurinos, câmeras e lentes e usou a tecnologia depois, na edição, como recurso de efeitos visuais.
O álbum ainda tem participações de Ciça, Nath e Major RD. Froid diz que escolheu os artistas por conexão com os trabalhos deles ou pelo que cada um poderia acrescentar às músicas.
Ele afirma que deve levar um ano, dois para voltar a fazer um álbum. Nesse intervalo, pretende viajar, conhecer coisas novas e publicar vídeos ligados ao projeto.








