BK’ revisitou a própria discografia e explicou as ideias, experiências e escolhas criativas por trás de cinco álbuns: Castelos & Ruínas, Gigantes, O Líder em Movimento, Ícaros e DLRE — Diamantes, Lágrimas Justas para Esquecer.
Do primeiro disco às novas possibilidades
O primeiro álbum solo, Castelos & Ruínas, nasceu da vontade de colocar ideias para fora e apresentar a visão do rapper sobre o que estava vivendo. O projeto chegou a ser planejado para 2015, mas foi adiado até que ele se sentisse pronto.
“Castelos e Ruínas foi o meu disco que eu levei 26 anos para fazer”, afirmou BK’. Durante o processo, algumas músicas foram lançadas, e “Próximo Nascer do Sol” entrou como a última faixa. O castelo do título não estava necessariamente ligado a dinheiro, mas à busca por um caminho na vida pessoal e profissional. O álbum também representou liberdade criativa e foi marcado pela vontade de fazer algo inspirador.
Em Gigantes, o rapper quis ampliar sua forma de criação. Além das próprias experiências, incorporou vivências de pessoas próximas e se aproximou de outras linguagens artísticas, especialmente das artes plásticas.
“Gigantes é onde eu consigo mostrar mais habilidades sem ser o que a gente tá acostumado a ser a habilidade de um MC”, disse.
O Líder em Movimento foi construído a partir de um conceito mais definido. BK’ criou um personagem para abordar vivência preta, liderança e identidade. A gravação aconteceu durante uma semana fora do Rio de Janeiro, mas a pandemia interrompeu parte dos planos. O álbum não teve videoclipe ou show de lançamento naquele primeiro momento.
Trajetória, mudanças e o próximo disco
Depois da pandemia, Ícaros retomou elementos dos trabalhos anteriores e usou a própria discografia como inspiração. A preocupação também era criar um álbum compreensível logo nos primeiros contatos. Os corais se tornaram uma das principais marcas estéticas do projeto.
Em DLRE, BK’ escolheu os samples como elemento central. Após problemas relacionados ao uso desse recurso em projetos anteriores, passou a ter mais cuidado com os direitos autorais. O disco surgiu da ideia de abandonar algumas coisas para seguir em frente e aborda mudanças em relações de amor, amizade e trabalho.
A estética do álbum ganhou o “monstro”, ligado ao tempo e à sensação de correria. A ideia levou o rapper e a equipe até a Etiópia para a gravação de um filme visual. As hienas representam o monstro, enquanto a viagem também se relaciona ao nome Bebe Bikila, referência ao corredor etíope Abebe Bikila.
Para BK’, DLRE reuniu música, estética e show em uma experiência próxima do conceito 360. Ao olhar para os cinco discos, ele identifica uma continuidade: cada trabalho parte de uma fase anterior e busca novas possibilidades. Enquanto finaliza um projeto, o rapper já começa a imaginar o seguinte.








