NOVA YORK — Donald Trump assinou um acordo de segurança com a Dinamarca e a Groenlândia que permite aos Estados Unidos construir duas bases militares para vigiar o Ártico. O anúncio ocorreu nesta terça-feira (22), durante a Assembleia Geral da ONU, onde o presidente americano também afirmou que o país voltou a ser “respeitado” no mundo.
Trump disse que Washington vai reafirmar seus interesses em todo o mundo e citou a América Latina. “Os Estados Unidos não vão mais permitir que as ameaças contra a América Latina ganhem terreno em nenhum lugar do hemisfério ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual”, declarou.
Ele também afirmou que os membros dos cartéis do narcotráfico “deveriam ser executados, exilados ou presos”. Em fevereiro do ano passado, Trump declarou esses grupos como “organizações terroristas”. Meses depois, iniciou uma campanha de ataques militares contra supostas narcolanchas no Caribe e no Pacífico, com mais de 200 mortes até agora.
Venezuela e Cuba
Trump disse que as ações americanas na Venezuela são uma prova do poderio militar dos Estados Unidos. A presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, estava no salão da Assembleia Geral. Um breve encontro entre os dois estava previsto para ainda nesta terça-feira.
Em janeiro passado, forças americanas capturaram e tiraram do país o então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a esposa dele, em uma operação noturna.
O presidente americano também criou o Escudo das Américas, uma aliança de segurança regional com governos conservadores aliados na América Latina. Na sequência, afirmou que “Cuba cairá” e disse que a liberdade chegará à ilha.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, respondeu no X que o governo dos Estados Unidos parece incapaz de aceitar que Cuba é e tem o direito de ser um país plenamente independente e soberano.
Pressão sobre o Irã
Durante o discurso, Trump colocou um acordo com o Irã como alternativa a um confronto. “Tenho que tomar uma decisão importante: haverá um acordo com o Irã?”, questionou. Em seguida, ameaçou “arrastá-los para o inferno, sem possibilidade de sobrevivência?”.
O presidente também mencionou as eleições legislativas de 3 de novembro, que renovarão parcialmente o Congresso americano, e afirmou que não é candidato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro a discursar, disse que “a democracia está novamente em xeque”. Ele criticou a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos. Lula disputará a reeleição em outubro.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, falou sobre a crise climática e os desafios da inteligência artificial. Trump rejeitou qualquer projeto globalista para controlar a tecnologia e disse que os Estados Unidos passarão a chamá-la de “superinteligência”.









