NEPAL — Equipes de emergência concentram as buscas em três túneis de um projeto hidrelétrico onde dezenas de trabalhadores podem estar presos. A operação ocorre duas semanas depois de enchentes que atingiram o Nepal e o Tibete, região autônoma da China.
A tragédia começou em 26 de agosto, quando uma geleira desabou em um rio na fronteira entre Nepal e China. A lama e os detritos soterraram as entradas dos túneis de pelo menos 11 projetos hidrelétricos e deixaram pessoas isoladas no interior das estruturas.
O Exército informou que mantém os trabalhos com a mesma intensidade desde o início. Um porta-voz militar, Raja Ram Basnet, disse que as equipes atuam em terra, pelo ar e dentro dos túneis.
Três trabalhadores — dois nepaleses e um chinês — foram retirados com vida na sexta-feira, 4, e no sábado, 5. Durante o fim de semana, uma idosa também foi encontrada viva entre os escombros da própria casa.
Famílias cobram resultados
Parentes dos trabalhadores desaparecidos se reuniram na segunda-feira, 7, em uma praça de Katmandu. As famílias afirmam estar frustradas com a demora e cobram informações sobre os desaparecidos.
Reena Amatya Shrestha disse que não tem notícias do irmão, o geólogo Sumesh Amatya, que trabalhava na construção da represa Trishuli-3, na fronteira com a China. “Ainda temos muita esperança”, afirmou.
As operações enfrentam dificuldades em diferentes pontos e com riscos próprios, segundo Arnold Dix, especialista australiano que participa do resgate.
Na segunda-feira, as bandeiras foram hasteadas a meio-mastro em Katmandu, onde centenas de pessoas participaram de vigílias com velas pelo 13º dia de luto, conforme a tradição hindu.
Os balanços mais recentes apontam 1.399 mortos e mais de 5.500 desaparecidos, incluindo quase 800 estrangeiros. No Nepal, foram recuperados 1.356 corpos e 4.994 pessoas continuam desaparecidas. No lado chinês, há 43 mortos e 519 desaparecidos.









