A escolha do Nobel da Paz deste ano será feita sob atenção especial a Donald Trump, após a campanha do presidente americano por uma indicação ao prêmio no ano passado. O anúncio está marcado para 9 de outubro, dentro de uma temporada que começa na segunda-feira (5), com o Nobel de Medicina.
A pressão sobre o Comitê Norueguês do Nobel aumentou depois que María Corina Machado, vencedora do prêmio em 2025, entregou a Trump sua medalha de ouro. A líder opositora venezuelana disse considerar que ele merecia a distinção após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar em Caracas.
O secretário do comitê, Kristian Berg Harpviken, afirmou que tentativas de influenciar a decisão fazem parte do processo. “Sempre há muito lobby, e até tentativas de exercer pressão”, disse. Segundo ele, o grupo está acostumado com esse tipo de situação.
Para Haakon Gjerløw, diretor do Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo (PRIO), o episódio pode favorecer uma escolha com menor potencial de controvérsia. Entre os nomes e organizações apontados pelo instituto estão a Save the Children e o ucraniano Mikola Kuleba, que atua no retorno de crianças ucranianas sequestradas ou transferidas à força pela Rússia.
Também aparecem entre os favoritos as Salas de Resposta de Emergência do Sudão (ERR), o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e a Estação Espacial Internacional. Em uma decisão de confronto com Trump, o comitê poderia escolher Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados; o Tribunal Penal Internacional; ou o papa Leão XIV.
O Nobel de Literatura será anunciado em 8 de outubro. Como os indicados ficam em sigilo por meio século, as apostas se concentram em nomes como Samanta Schweblin, da Argentina; Jamaica Kincaid, dos Estados Unidos; Can Xue, da China; Gerald Murnane, Alexis Wright, Thomas Pynchon e Cristina Rivera Garza.
A Academia Sueca poderá premiar uma escritora latino-americana, após a escolha do húngaro László Krasznahorkai no ano passado. A argentina Samanta Schweblin, de 48 anos, é considerada uma possibilidade, embora possa ser vista como jovem demais.
A instituição passou por uma renovação após críticas à concentração de autores ocidentais e um escândalo ligado ao movimento #MeToo em 2018. Desde então, quase metade dos premiados foram mulheres.
Depois do anúncio de Medicina na segunda-feira, a programação seguirá com Física na terça e Química na quarta-feira. Entre as possíveis descobertas médicas está a pesquisa sobre o hormônio GLP-1, cuja ação é imitada por medicamentos contra a obesidade, como Ozempic e Mounjaro.









