LOURDES — O papa Leão XIV pediu aos bispos da França que mantenham a vigilância e a prevenção contra abusos sexuais na Igreja. A cobrança ocorreu durante a visita do pontífice a Lourdes, marcada por encontros com vítimas e por uma missa diante de 150 mil pessoas.
Antes de participar da reunião dos bispos, Leão XIV rezou diante da fotografia de uma escultura de uma criança chorando. A imagem foi instalada no local há cinco anos para lembrar as agressões sexuais.
Encontro com vítimas
O pontífice se reuniu a portas fechadas com sete vítimas de agressão sexual. A conversa durou quase duas horas e não contou com a participação dos coletivos que representam as vítimas. O mesmo formato havia sido usado em junho, na Espanha, e gerou mal-estar.
Depois da reunião, as vítimas disseram ter percebido uma conscientização maior por parte do papa. Olivier Mardi afirmou que Leão XIV se mostrou “muito atento” e “genuinamente disposto a ouvir”.
O Vaticano informou que o pontífice reafirmou o compromisso de fazer tudo o que fosse possível para impedir que o mal sofrido pelas vítimas se repetisse com outras pessoas.
No encontro com os bispos, Leão XIV também pediu que eles perseverem no caminho de prevenção. A Igreja francesa é afetada há anos por denúncias de violência sexual. Um relatório encomendado por bispos e freiras estimou, em 2021, até 330 mil vítimas menores de idade desde 1950.
Os bispos reconheceram o caráter sistêmico das agressões e criaram uma instância independente dedicada ao reconhecimento e às reparações às vítimas. Após o relatório, o então papa Francisco havia expressado “imensa dor” e convocado a Igreja Francesa a seguir um caminho de redenção.
A diocese de Lourdes cobriu os mosaicos da fachada de uma basílica feitos por Marko Rupnik, padre esloveno acusado de agressões sexuais. A medida foi tomada para permitir o retorno das vítimas aos santuários.
Na homilia no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, Leão XIV pediu aos fiéis que se submetessem “humildemente ao olhar purificador do Senhor” para curar os desvios dolorosos relacionados aos abusos. O papa também criticou a eutanásia e disse que pessoas doentes não são um fardo.
A viagem à França será concluída amanhã, em Metz, com um discurso sobre a paz e a União Europeia.









