A rede LatamChequea, formada por 47 verificadores da América Latina, pediu à Meta que mantenha a checagem de fatos independente enquanto testa um sistema de moderação feito por usuários em 16 países da região.
O grupo se manifestou nesta quinta-feira (10) e afirmou que as chamadas Notas da Comunidade não são suficientes em contextos de alta desinformação. Para a rede, o modelo pode contribuir se for usado junto da verificação profissional, mas não no lugar dela.
A preocupação está ligada à possibilidade de substituição do trabalho de jornalistas independentes pelo sistema. A Meta já adotou essa mudança nos Estados Unidos no ano passado. O programa foi inspirado no modelo implementado por Elon Musk no X.
A LatamChequea também questionou quais fontes confiáveis serão usadas como base para as notas elaboradas pelos usuários. Segundo a rede, a discussão ocorre em um período de agravamento da desinformação na região, impulsionado pelo aumento de conteúdos gerados e manipulados com inteligência artificial.
Países incluídos e participação do Brasil
As Notas da Comunidade serão testadas nos países de língua espanhola da região. A lista inclui Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
O Brasil ficou fora da decisão, apesar de ser o maior mercado das plataformas da Meta — Facebook, Instagram e WhatsApp — e de realizar eleições presidenciais em outubro.
A rede latino-americana se juntou à preocupação manifestada pela Rede Internacional de Checagem de Fatos, conhecida pela sigla IFCN. Atualmente, 14 organizações da região participam do programa de verificação profissional da Meta. A iniciativa conta com dezenas de veículos de comunicação de diferentes países e funciona em mais de 26 idiomas.
O anúncio ocorre durante o avanço de candidatos conservadores e de extrema direita à Presidência em países da América Latina. Entre os modelos citados estão Nayib Bukele, presidente de El Salvador, e Donald Trump, dos Estados Unidos. Esses políticos defendem desregulamentação, medidas rígidas e resultados rápidos no combate ao tráfico de drogas e ao crime, além de terem recebido apoio de Washington.









