A Polícia Federal vai ouvir na próxima semana o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto e o dono do BTG Pactual, André Esteves, em uma investigação sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro.
Os três prestarão depoimento como testemunhas no inquérito que apura suspeitas de cooptação de dois servidores do BC por Vorcaro. Eles foram mencionados pelo ex-diretor Paulo Sérgio Souza, um dos investigados no caso.
A programação prevê André Esteves na segunda-feira (5), Gabriel Galípolo na terça-feira (6) e Roberto Campos Neto na quarta-feira (7). Os advogados ainda podem pedir o adiamento das oitivas.
A PF também pretende ouvir novamente o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino. O depoimento foi marcado para a próxima quinta-feira (7), enquanto a logística dos interrogatórios ainda é organizada.
O que Paulo Sérgio relatou
Em seu depoimento, Paulo Sérgio citou reuniões com Galípolo, Campos Neto e Esteves sobre o Banco Master. O BTG Pactual entrou no caso porque avaliou a compra da instituição.
O ex-diretor negou ter recebido propina de Vorcaro para repassar informações sigilosas. Ele também afirmou que Galípolo resistiu a enviar ao Ministério Público Federal uma comunicação sobre suspeitas relacionadas à venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).
“Relata que comunicou ao diretor Ailton a necessidade de fazer a comunicação ao Ministério Público, e que a comunicação estava pronta”, contou Paulo Sérgio à PF.
Segundo o ex-diretor, houve duas reuniões com Galípolo. Na primeira, ele informou que o Banco Master havia deixado de recolher todo o compulsório e que seria necessário liquidar o banco ou buscar uma solução de mercado com o BTG Pactual. Na segunda, no final de junho, Galípolo teria dito que não faria comunicação ao Ministério Público por gestão temerária, pois havia recebido internamente a informação de fraude na carteira.
Paulo Sérgio ainda disse que Ailton o orientou a “jogar parado” durante a sabatina de Galípolo no Senado.
O ex-diretor também relatou que, em novembro de 2024, o BTG informou ter encontrado uma fraude de R$ 32 bilhões após concluir uma due diligence no Banco Master. A comunicação teria sido feita por telefone em 29 de novembro. Uma apresentação ocorreu em 3 de dezembro de 2024, com a presença de Roberto Campos Neto, mas o BTG não entregou documentos na reunião.








