O crescimento de Augusto Cury nas pesquisas presidenciais abriu uma disputa dentro das redes evangélicas. Influenciadores e lideranças religiosas passaram a defender o candidato como uma opção cristã, movida por propósito e distante da busca por poder. Setores bolsonaristas reagiram e tentam vinculá-lo à esquerda.
No levantamento BTG/Nexus, Cury avançou de 2% para 11% das intenções de voto entre as duas rodadas mais recentes. A AtlasIntel registrou alta de 3% para 7,8%. Na Quaest, o candidato chegou a 10%. No Datafolha, apareceu com 8%, em terceiro lugar, atrás de Lula, com 38%, e Flávio Bolsonaro, com 33%.
A movimentação foi analisada na sétima edição do relatório Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral, produzido pela Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque. O estudo monitorou publicações feitas entre 17 e 30 de agosto.
Apoio nas redes
Um dos principais argumentos dos apoiadores é que Cury construiu uma carreira bem-sucedida fora da política e, por isso, não precisaria de um cargo público para obter dinheiro ou influência. A defesa associa o candidato a ideias de propósito, serviço e virtude.
Uma publicação do influenciador Raphael Soares teve 1,4 milhão de interações. A pastora Fabiola Melo, que reúne mais de 3 milhões de seguidores, também declarou apoio. Em resposta a uma seguidora, afirmou que “muitos não sabem, mas ele é crente” e defendeu o voto por convicção no primeiro turno.
Pablo Marçal também apoiou Cury e relacionou seu sobrenome à cura do Brasil. Os dois destacaram a intenção de servir ao país e a trajetória profissional fora da política. Marçal ainda argumentou que candidaturas alternativas não deveriam ser descartadas pelo receio de favorecer Lula.
Reação bolsonarista
Perfis bolsonaristas passaram a criticar Cury por estar em um partido apontado como aliado ao PT. A candidatura foi descrita como de esquerda, e a expressão “cavalo de Troia” foi usada para sugerir que ela esconderia posições diferentes das percebidas por parte do público cristão.
As críticas também miraram a defesa de Cury pela pacificação e pela união. O pastor Wesley Ros publicou um texto como ex-admirador e ex-leitor e recuperou um trecho do livro Dez leis para ser feliz, no qual o candidato elogia o choro de Lula durante um discurso realizado em 2013.
Nesse campo, Flávio Bolsonaro aparece como a alternativa considerada mais viável para derrotar Lula. O relatório aponta uma disputa entre o voto por convicção, defendido por apoiadores de Cury, e a escolha baseada na viabilidade eleitoral, sustentada por seus críticos.
O monitoramento também registra que a eleição de 2026 é atravessada por diferentes interpretações sobre os valores que deveriam orientar o voto cristão. Ainda não há elementos para afirmar como o movimento afetará o comportamento eleitoral.







