SÃO PAULO — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o próximo governo terá de enfrentar desafios ligados à institucionalidade, à segurança pública e aos juros durante um jantar com empresários e representantes do setor privado. No mesmo evento, Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a estabilidade fiscal e pediu apoio eleitoral aos participantes.
Mais de 700 empresários estiveram reunidos em um hotel em São Paulo. Lula participou do encontro ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e apresentou a experiência dos dois como uma garantia para a condução do país. O presidente também afirmou que a escolha eleitoral colocará em disputa o regime democrático e a chamada nova barbárie, em referência a Flávio Bolsonaro.
Ao falar sobre as contas públicas, Lula disse que o desequilíbrio fiscal acaba sendo pago pela população mais pobre. Ele também defendeu o aumento real do salário mínimo, com o argumento de que uma renda maior elevaria o consumo dos trabalhadores.
O presidente ainda mencionou as discussões sobre a independência do Banco Central e relembrou a permanência de Henrique Meirelles no comando da instituição durante seus dois primeiros mandatos. Segundo Lula, a manutenção de Meirelles ocorreu mesmo quando ele avaliou substituí-lo, em momentos que também coincidiram com a conquista do grau de investimento.
Durigan afirmou que o ajuste fiscal deverá combinar organização das contas e justiça social. “Falar é fácil, fazer discurso com bala de prata é fácil”, disse o ministro. Ele defendeu uma redução estrutural dos juros e afirmou que o debate fiscal precisa ocorrer com transparência, compromisso ambiental e discurso republicano.
Demandas do setor privado
Gustavo Pimenta, CEO da Vale, apontou uma oportunidade para o Brasil ampliar a oferta de minerais críticos e ocupar espaço na transição energética. Ele afirmou que o desenvolvimento desse potencial poderia empregar 5 milhões de pessoas e dobrar a arrecadação.
Jorge Cury, presidente do Secovi, elogiou o Minha Casa, Minha Vida, que teve 3 milhões de unidades em quatro anos, mas questionou a possibilidade de reduzir os juros para facilitar a compra de moradias pela classe média.
Marcos Almeida, da Brookfield, pediu que Lula volte a buscar o grau de investimento caso seja reeleito. Camila Funaro Camargo Dantas, CEO da Esfera, lembrou que o grupo reúne empresas da indústria, do varejo, dos serviços e bancos. Ela também afirmou que emprego e atividade empresarial dependem um do outro.
O jantar foi organizado pela Esfera Brasil e pelo Prerrogativas. Ao pedir apoio, Lula afirmou: “Você não precisa gostar de mim”.








