BELO HORIZONTE — Um mural de 1.600 metros quadrados homenageia Milton Nascimento no centro da capital mineira. A obra foi criada pelo artista Kaká Chazz e ocupa a lateral de um prédio na avenida Álvares Cabral, nº 347, perto da rua Timbiras.
A pintura mostra Milton em dois momentos. Na parte superior, o cantor aparece durante a turnê de despedida dos palcos, em 2022. Na parte inferior, ele é retratado na juventude. O mural estava em produção no último domingo, 20.
Kaká Chazz é natural de Três Pontas, no sul de Minas Gerais, cidade onde Milton, que nasceu no Rio, passou boa parte da infância. Augusto Nascimento, filho do cantor, visitou a obra no último final de semana e publicou uma homenagem ao projeto.
“Hoje cedo tive a alegria de visitar a linda homenagem ao meu pai”, escreveu Augusto Nascimento.
Arte urbana e trajetória
O mural combina elementos do barroco mineiro com referências ao sertão, à fé e à cultura popular. Para Kaká Chazz, o trabalho representa mais do que uma homenagem a um músico. “Pintar o Milton não é simplesmente pintar um grande artista que admiro”, afirmou o artista.
A obra faz parte da 20ª edição do projeto Fábrica de Graffiti, que busca humanizar e revitalizar espaços urbanos por meio da arte. Patrocinado pela Fundação ArcelorMittal, o projeto também reúne intervenções recentes de Ailton Krenak e Rafaela Ianni no centro de Belo Horizonte.
Milton Nascimento foi fundador do Clube da Esquina ao lado de Lô Borges. O movimento surgiu em Belo Horizonte durante a Ditadura brasileira (1964-1985) e misturou elementos do rock, da bossa nova e do jazz com ritmos regionais.
Ao longo da carreira, Milton gravou mais de 30 álbuns e lançou músicas como “Travessia”, “Maria Maria”, “Canção da América” e “Nada Será Como Antes”. A despedida dos palcos ocorreu em 2022, com a turnê A Última Sessão de Música. O encerramento foi realizado no dia 13 de novembro, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.








