A ONU Mulheres apresentou um conjunto de dez propostas para que partidos e candidatos incluam metas, orçamento e prazos em compromissos voltados às mulheres. O documento foi lançado a poucos dias das eleições e reúne medidas para ampliar a participação feminina e enfrentar diferentes formas de violência e desigualdade.
A representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, afirmou que promessas eleitorais precisam ser verificáveis. “Palavras bonitas sobre mulheres já existem em quantidade suficiente no Brasil”, disse.
Entre as medidas está a adoção da paridade como objetivo, com prazos e metas numéricas para aumentar a presença de mulheres nos cargos eletivos, em funções de nomeação, nas lideranças do Legislativo e no comando dos partidos. O documento também defende o cumprimento das cotas eleitorais e a aplicação prática da Lei 14.192/2021, inclusive no ambiente digital.
Violência, trabalho e renda
As propostas incluem prevenção à violência contra as mulheres por meio de educação para a igualdade, serviços especializados, medidas protetivas, investigação e respostas rápidas. A ONU Mulheres também propõe tratar o machismo como um problema público, com estratégia permanente e financiamento para mudar normas que naturalizam a violência e restringem direitos.
A lista prevê ainda a responsabilização de agentes públicos e empresas que reproduzem estereótipos, além do envolvimento de homens e meninos. Para as trabalhadoras do cuidado, são citados formação, contrato formal, salário digno e proteção social. O documento também pede salário igual, trabalho formal e proteção social para as mulheres.
Na área climática, as medidas defendem que o financiamento alcance quem protege o território. O texto propõe participação paritária e efetiva de mulheres, especialmente indígenas, negras, quilombolas e integrantes de povos e comunidades tradicionais, em órgãos de governança climática e na elaboração e execução de políticas.
A última proposta é que toda política climática avalie quem será alcançado e quem ficará de fora, usando gênero e raça como critérios obrigatórios.









